Workaholic - o vício socialmente aceito!

November 10, 2016

 

O vício em trabalhar 

 

Quantas vezes ouvimos que uma ou outra pessoa é “esforçada”, “trabalhadora”, “determinada”, ao se referir à uma pessoa que trabalha muitas horas ao dia? Algumas possuem inclusive mais de um emprego e para reforçar seu “esforço” o quanto conseguiu ascensão financeira. Estes são uns dos adjetivos que costumamos ouvir, mas será que algumas destas pessoas não são viciadas em trabalho?

 

Workaholic

O termo em inglês refere-se a indivíduos viciados em trabalho. Importante ressaltar que é de fato um vício tão importante, perigoso e prejudicial quanto qualquer outro vicío como o uso de drogas por exemplo. Importante comentar que há níveis distintos deste vício.

Este vício penso ser um dos mais perigosos, pois está camuflado em diferentes formas pela família e organizações que muitas vezes reforçam os comportamentos apresentado justificados pela melhora na qualidade financeira da família e entrega de resultado na visão da empresa. No entanto há falta de relacionamento inter - pessoal, relacionamento afetivo entre aquele que é viciado (a) em trabalho e os demais membros da família e os impactos na saúde de todos os envolvidos.

Por outro lado, nas organizações os comportamentos em busca de resultados e promoções na carreira são a qualquer custo, prejudicando assim as relações na equipe da qual faz parte, seja como integrante ou líder.

Infelizmente algumas organizações ainda mantem viva a ideia de que o melhor profissional para a empresa é aquele que trabalha vinte e quatro horas por dia, sem descanso e sem medir as consequências deixadas por este profissional. Esta cultura pode ser notada através de incentivos financeiros, como bônus, mérito ou até mesmo através de promoções.

Sendo assim, este é um vício aceito socialmente e mantido pelas organizações e algumas famílias, no entanto seus prejuízos são visivelmente notados a médio e longo prazo como separações entre casais, filhos com pais ausentes e com problemas escolares e/ou de relacionamento, problemas de saúde em geral, distanciamento de amigos que não possam gerar efetivamente negócios, entre outros.

O ideal é buscar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, e quando em caso de vício em trabalho, a terapia pode ser o caminho para alcançar este objetivo.

 

Características de Pensamentos segundo Bryan Robinson: 

  • Perfeccionista;

  • Tudo ou nada;

  • Ignora sucessos pessoais;

  • Dificuldade em impor limites;

  • Busca aceitação do outro;

  • Pensamento pessimista;

  • Pensamento de

    desamparo;

  • Vitimismo;

  • Resitência;

  • Pensamentos de desejos;

  • Sério;

  • Pensamento exteriorizado. 

 

Impactos na liderança - Equipe 24/7

Fazer parte de uma equipe em que o líder é “Workaholic” significa trabalhar, estar disponível 24 horas por 7 dias na semana durante 365 dias ao ano.

A pressão que este líder pode gerar, no sentido de todos estarem disponíveis e de esperar que todos os integrantes de uma equipe respondam ou resolvam problemas relacionados ao trabalho a qualquer hora do dia, pode ser estressante para aqueles que buscam equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Além de, os integrantes da equipe, sentirem-se obrigados a, se necessário, fazer perguntas ou dar respostas ao líder “workaholic” a qualquer horário e dia.

Significa estar presente em eventos como aniversário e se sentir na obrigação de, ao avistar o líder, muní-lo de informações sobre um projeto, problema e como foi resolvido antes que o líder “workaholic” faça perguntas sobre o andamento de suas responsabilidades.

Esse movimento entre líder viciado em trabalho e seu time acaba gerando um reforço positivo para que este comportamento seja mantido e aceito por todos, havendo apenas uma possibilidade de quebra, ao se depararem com doenças, prejuízos pessoais e transtornos psíquicos, como infarto, problemas de relacionamento familiar, depressão, transtorno do pânico ou ansiedade entre outras possibilidades.

 

Impactos na saúde: Física, psíquica e social

A pessoa viciada em trabalhar tende a não prestar atenção à sua saúde por estar muito ocupado com seu trabalho, resolvendo problemas e por não conseguir delegar o trabalho, pois sua tendência é pensar que nenhum outro profissional trará o mesmo resultado que ele.

Sendo assim, um dos primeiros impactos visíveis é o ganho de peso corporal, que tem impacto muito além da aparência, o diâmetro abdominal excessivo pode colaborar com um infarto por exemplo.

A tendência é que esta pessoa verbalize a outros que não tem tempo para cuidar de sua saúde porque “tem “que trabalhar.

Assim como em outros vícios, perceber que é viciado em trabalho não é simples, pois a pessoa tem retornos positivos como performance profissional acima da média, e ganhos financeiros, além de tendência de pensamento focado no exterior. Esta pessoa normalmente acredita que existe porque trabalha e que o faz muito bem.

Socialmente, esta pessoa procura se unir buscando eventos após o horário de trabalho, é claro, com pessoas que considera como um possível gerado de um novo negócio profissional para a empresa onde atua. Já, aqueles amigos de infância, escola, faculdade que não têm potencial para geração de negócio efetivamente, não são mais contatados.

 

Impactos na vida (pessoal) - O estar ausente estando presente

Prejuízos em relacionamentos familiares e em ciclo de amizades são alguns dos impactos na vida pessoal de uma pessoa viciada em trabalho.

Para exemplificar os impactos no âmbito familiar posso comentar sobre um depoimento em que a criança pediu ao seu pai que estivesse em casa para o jantar naquela noite. Diante desta solicitação seu pai respondeu que sempre está presente nos jantares e continuou comentando que na noite anterior inclusive estava presente durante o jantar. Neste momento então o filho responde: “Não, não estava, você estava com dois celulares e com o iPad, discutindo com alguém e lendo e respondendo e-mails, e não jantando comigo”.

Este relato deixa claro o significado de um “workaholic” estar apenas fisicamente presente.

Este tipo de comportamento gera na família a sensação de não serem importantes, de “abandono” por exemplo. É possível ainda observar problemas na escola ou mesmo de relacionamento no caso das crianças e de estresse e sobrecarga de trabalho na esposa ou marido.

Além de ser comum notar que, as crianças filhos de um membro, mãe ou pai, viciado em trabalho, tendem a brincar de escritório para poder ter acesso ao seu ente querido. 

 

Tendência de características de um filho adulto de um(a) viciado(a) em trabalho de acordo com Bryan Robinson: 

  • Conformista e com foco no exterior;

  • Autocrítico;

  • Auto-depreciação de pessoas

    que se sentem incompetentes;

  • Tendência a depressão;

  • Perfeccionista orientados à performance;

  • Seriedade e dificuldade em se divertir;

  • Tendência a sentimentos de deslealdade e culpa para reconhecer problemas em sua visão de família perfeita, que lhes deram tudo;

  • Bravo e ressentido;

  • Tendência em generalizar e ansiedade por performance;

  • Insucesso em relacionamentos íntimo quando adulto;

  • Camaleões com senso subdesenvolvido sobre si mesmo. 

 

Referência Bibliográfica:

Robinson; Bryan - Chained to the desk: a guideline for workaholics, their partners and children, and the clinicians who treat them, 2nd ed. 

Please reload

Posts Em Destaque

Dicas - Home Office

May 7, 2019

1/5
Please reload

Posts Recentes

June 17, 2019

June 17, 2019

June 4, 2019